OLHOS E SUAS PERCEPÇÕES SOBRE AS CORES

Fonte: O Globo

Muito provavelmente você já deve ter visto essa imagem circundando pelas redes sociais ou até mesmo em alguns programas televisivos. O famoso caso do vestido onde algumas pessoas enxergaram azul e preto e outras dourado e branco; também há aqueles indivíduos que durante o dia viram uma tonalidade e a noite outra. Mas qual o motivo de isso acontecer? E ainda, qual é a verdadeira cor desse vestido?

No ano de 2015, quando esse evento “parou a internet”, o site de tecnologia Wired.com explicou a influência da luz sobre os objetos. Com o decorrer do tempo, os cérebros humanos começaram a considerar que a luz solar tem grande incidência sobre as cores, provocando grandes avanços na forma em que olhamos e como o cérebro recebe essa informação. A noite, os objetos possuem tonalidades de um vermelho rosado, durante o dia tem tons de azul e branco e ao entardecer são mais avermelhados, por isso ocorre essa discrepância no vestido, pois o cérebro tenta descontar o efeito da luz para encontrar uma verdadeira cor.

De acordo com uma reportagem realizada pela BBC e publicada em fevereiro de 2015, o branco e dourado não são as cores verdadeiras do vestido. Emma Lynch usou um software de edição de foto, a qual, ao analisar, constatou que todos os tons são azuis.

Ao aumentar a saturação – tornando as cores existentes mais fortes, mas sem acrescentar novas cores – o vestido aparece azul para todos. Estes resultados são confirmados pelo uso da ferramenta de conta-gotas do software, que captura amostras de áreas específicas do tecido. Este software identifica o código de cor do computador de qualquer pixel na tela. E nesse caso também gera resultados em tons de azul (BBC, 2015).

Manipulação em computador intensifica cores e deixa claro que o vestido é azul
Fonte: BBC

No entanto, as cores que enxergamos não estão totalmente equivocadas, isso é particular de cada ser humano e não está associado a nenhum tipo de doença ou distúrbio ou até mesmo como o daltonismo. O oftalmologista Anibal Mutti, explica “que o vestido possui tonalidades no limite entre o cinza, o azulado, o branco e o dourado – e esse limiar pode se apresentar de maneira diferente para cada um conforme a percepção de cores”. Isso está diretamente ligado com a forma que o cérebro recebe e interpreta as cores visualizadas de cada objeto.

“A retina, porção do olho responsável por captar a imagem, possui dois grupos de células: os bastonetes e os cones. Os cones são as células responsáveis pela nossa percepção das cores, sendo que nossos olhos possuem cones vermelhos, azuis e verdes. No entanto, cada pessoa carrega porções diferentes de cada tipo de cone, gerando percepções diferentes. Por exemplo, uma placa que você considera vermelha pode ser vista como marrom ou rosa por algumas pessoas, justamente pela diferença na proporção dos cones e como cada cérebro recebe as informações” (Anibal Mutti, 2015).

Portanto, a cor que enxergamos não está errada e nem indica algum tipo doença ou correlações. Esse fenômeno está ligado não só a luz solar ou a falta de luz durante a noite, mas sim com a forma que nosso cérebro recebe as informações. Isso vale não só para o caso desse vestido, mas para outros acontecimentos que volta e meia retorna as redes sociais.

REFERÊNCIAS

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