PROCESSO DE DESSORÇÃO

O processo de dessorção, também conhecido por desabsorção de gás ou extração, é uma operação inversa à absorção (clique aqui), pois a dessorção envolve a transferência do componente solúvel, que se encontra dissolvido em uma massa líquida, para a fase gasosa.

Os princípios físicos entre o processo de dessorção e o de absorção são os mesmos, apenas mudando o sentido da transferência de massa, sendo assim, tem-se um soluto (componente transferido de uma fase para outra), que no caso da dessorção o soluto está retino na massa líquida e será deslocado passando para fase gasosa com auxílio de um gás inerte, ou seja, que não reage com o solvente (fase líquida inerte onde encontra-se o soluto).

Tendo em nota que nas condições dessa operação, o gás inerte não se difunde no líquido inerte, e o líquido inerte não evapora.

As colunas de dessorção podem ser com torres de pratos ou torres de recheio, o que promove o melhor contato das fases envolvidas e melhora o desempenho da operação, da mesma forma que é empregado nos processos de absorção e destilação.

Figura 1. Torre de pratos com fluxo contracorrente, onde a corrente gasosa é representada pelas setas finas, e o escoamento da fase líquida é representado pelas setas cheias. 

Geralmente, para o dimensionamento de uma coluna de dessorção tem-se os valores de vazão e concentração das correntes de entrada e outra informação das correntes de saída, como a pureza ou recuperação desejável do produto, ou então a perda máxima admitida do composto que se transfere. Sendo assim, é necessário determinar qual gás de arraste será empregado no processo e qual será sua vazão, e as dimensões da coluna, como em torres de recheio: selecionar o recheio a ser empregado, determinar a área de transferência de massa, calcular a altura do recheio e determinar o diâmetro adequado para o equipamento.

Figura 2. Representação da torre de recheios.

O processo de dessorção é amplamente empregado nas indústrias químicas, como nos processos de tratamento de fluidos, remoção de hidrocarbonetos presentes em óleos, desadificação de óleos vegetais, entre outros.

Como exemplo, tem-se na figura 3 a recuperação da amônia, utilizando o processo de absorção, e em seguida o de dessorção:

Figura 3. Processo de absorção e dessorção em série para a obtenção da amônia gasosa a partir do ar.

Na primeira operação, é realizada a absorção da amônia a partir do solvente água (um solvente que não solubiliza o gás, apenas o soluto), obtendo-se o hidróxido de amônio (NH4OH).

Para a extração da amônia (NH3), este composto é encaminhado para uma coluna de dessorção onde, mediante ao borbulhamento ascendente de ar (fase que não reage e quase insolúvel com a água), a fase gasosa entra em contato com a solução de NH4OH, promovendo o arraste da amônia, proporcionando assim transferência de líquido para gás até o momento em que a concentração de amônia dissolvida no líquido fica em equilíbrio com a sua quantidade na fase gasosa. Ao atingir o equilíbrio não há mais transferência efetiva de massa.

REFERÊNCIAS

FOUST, A.S., WENZEL, L. A., CLUMP, C.W., MAUS, L., ANDERSEN, L.B. Princípio das Operações Unitárias. Parte 1. Capítulo 2. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Dois, 1982.