EXTRAÇÃO DO ÓLEO DE SOJA

A semente de soja possui um teor médio de óleo de 18-20 %, o objetivo da extração é adquirir a quantidade máxima do óleo vegetal livre de impurezas e obter a torta (ou farelo), que possa ser bem aproveitada em outro setor, como alimento animal.

É possível encontrar três tipos de extração, (a) por prensagem mecânica, (b) extração por solvente e (c) processo misto.

a) Extração por prensagem mecânica:

Extração mecânica do óleo vegetal é feita a frio, ou seja, não utiliza solventes, sendo um processo mais ecológico e que dispensa o tratamento de efluentes. Primeiro, as sementes passam pela pré-limpeza na peneira, onde são retiradas as sujidades; a seguinte etapa é a extrusão (extrunder), onde a semente é submetida a altos valores de pressão e temperatura, fazendo com que as bolsas de óleo se rompam, facilitando assim a obtenção do óleo na prensagem.

A prensagem contínua consiste na alta pressão das barras da prensa sob o material. O óleo extraído é encaminhado para um filtro prensa, e o resíduo (torta) é encaminhado para tornar-se alimento para animais.

Porém, esse processo é mais encontrado em indústrias antigas e de pequeno porte, pois acaba se perdendo uma alta quantidade de óleo residual na torta.

Figura 1. Esquema de uma prensa com rosca helicoidal para a compressão de grãos de soja e obtenção de seu óleo.
Adaptado de Soybeanoilextractuibplant
 

b) Extração por solvente

Tradicionalmente, o solvente empregado para a extração do óleo de soja é o hexano, devido a boa solubilidade no óleo e ao seu baixo ponto de ebulição (70°C), não acarretando a degradação do óleo no momento final de separação, além de ser imiscível em água.

Este processo pode ser descontínuo (infusão ou enriquecimento) ou contínuo (submersão ou percolação), e consiste na transferência de massa do sólido para líquido até o ponto de equilíbrio, oferecendo condições máximas de contato do sólido com o solvente, e ao mesmo tempo, evitar a retenção de solvente residual.

Essa extração sólido-líquido acontece dentro de um extrator com correntes opostas, o sólido e o solvente percorrem os estágios do equipamento em contracorrente até o ponto de equilíbrio entre as fases.

Figura 2. Esquema da extração sólido-líquido com correntes opostas; correntes de entrada: (F) matéria-prima (grãos de soja) e (S) solvente (hexano); correntes de saída: E1miscela (óleo e solvente) e Rn (farelo/torta).

As correntes de saída do equipamento são a de extrato concentrado ou miscela (óleo + solvente) e a corrente de rafinado (resíduo sólido e óleo não extraído). A operação é considerável eficiente quando se atingi no máximo 1% de teor de óleo no resíduo, em condições mínimas de uso de solvente e retenção do mesmo nos produtos obtidos.

Diversas variáveis podem influenciar no rendimento da extração, como: temperatura da operação – as viscosidades diminuem em maiores temperaturas, facilitando a solubilidade, porém devem ser controladas para que o óleo não perca suas propriedades; – tempo de extração – depende do tipo de equipamento, grão e pré-tratamento; umidade do grão – é necessária para sua elasticidade, porém, em altas porcentagens pode dificultar a permeação do solvente na matéria-prima; tamanho e formato do grão – é regulado na etapa de preparo do grão para a extração (etapas de laminação ou extrusão), influenciando na área superficial e porosidade do grão para a melhor permeabilidade do solvente; e a quantidade de solvente – é controlada a partir do teor de fibra presente no grão (quanto maior o teor, maior é a quantidade de solvente necessária);

O óleo após ser extraído é encaminhado para um processo de purificação para ser separado do solvente e ter suas propriedades físico-químicas ajustadas (retirar contaminantes e melhorar as condições organolépticas), sendo empregado os processos de evaporação e o refino. Já o solvente volta para o processo sendo reaproveitado.

As desvantagens do uso de hexano como solvente é a sua alta toxicidade e inflamabilidade, além do alto custo. Sendo assim, vem-se estudando o emprego de outros solventes para esta operação, como o etanol.

c) Processo misto

Este consiste na prensagem vinculado ao uso de solvente, porém, ainda é menos eficiente que a extração por solvente.

Geralmente neste processo, as etapas se constituem em: prensagem mecânica da semente; passagem pelo filtro prensa; uso de solvente para extração de óleo residual presente na torta; e purificação do óleo. 

 

REFERÊNCIAS

SAWADA, M. Estudo da viabilidade técnica da substituição de hexano por etanol no processo de extração de óleo de soja: cinética de extração e índices de qualidade. Universidade de São Paulo. Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos. Pirassununga. 2012.

THOMAS, G. Análise teórico-experimental da extração de óleo de soja em instalação industrial do tipo Rotocell. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2003.