A CIÊNCIA DA EMOÇÕES

Você já observou a quantidade de emoções que sente e exprime durante o dia ou até mesmo durante um certo período de tempo? O ser humano já nasce com as emoções e, dependendo da cultura, são manifestadas de formas distintas. Rir, tremer, suar frio, gritar e suspirar são demonstrações de diversos sentimentos e nem sempre têm o mesmo significado, por exemplo, o coração pode disparar de alegria ou de medo.

As emoções estão presentes nos pensamentos, nos sonhos, nas relações humanas, nas decisões, nas escolhas. Ela é capaz de nos mover, serve como combustível para realização de determinados objetivos, além disso, está presente em todas as formas de arte, como na literatura, no cinema, no teatro e na dança. A realidade é que a vida humana sem as emoções seria racional, mecânica e fria.

Além de ser muito presente, tais sentimentos também auxiliam na sobrevivência do homem. Um exemplo seria o medo, o qual é o responsável por tornar as pessoas mais prudentes, protegendo-nos de riscos contra a vida. Outra função primordial é a social, nos torna mais capazes de estabelecer relações afetivas, cordiais e construtivas com os outros.

Mas como ocorre o processo de sentir e expressar determinado sentimento?

As emoções acontecem, numa primeira fase, em níveis não conscientes. Elas são acionadas por processos de percepção rapidíssimos que apreendem as situações através de um sistema neurológico complexo e ditam as respostas necessárias adequadas a cada situação. Por isso é que primeiro sentimos as emoções e depois pensamos sobre as suas causas e sensações provocadas.

Esse é o papel emoções primárias, pois os animais também as exprimem. Mas existem, no ser humano, emoções mais complexas que são provocadas por situações de natureza mais social. É o caso da vergonha. É uma das quatro emoções sociais que estão ligadas à nossa autoconsciência, sendo as outras três o acanhamento, o orgulho e a altivez.

Existem diferentes abordagens no estudo das emoções. Conforme a perspectiva, o entendimento varia. Para uns, as emoções são reações biológicas, próprias da nossa natureza animal. São mecanismos de sobrevivência, mesmo que tenham também funções sociais. Elas existem nos seres humanos pelas mesmas razões que existem em muitos outros animais. Para outros são simplesmente estados mentais provocados pelo sistema nervoso em resultado de determinados de estímulos.
Outros autores preferem afirmar que as emoções são formas de pensamento. Outras correntes sugerem que elas são formas de consciência do mundo, isto é, janelas através das quais apreendemos a realidade e a transformamos.
O filósofo Platão, achava as emoções como algo desconcertante, opostas à razão, pelo que deveriam ser refreadas. Outro filosofo que pensava de forma semelhante era Cícero, o qual declarou que as emoções tinham o seu quê de estupidez e ignorância pois elas insurgiam-se contra a inteligência e a razão, por conseguinte, as emoções eram indesejáveis.

Já Aristóteles escreveu que “as emoções são todos aqueles sentimentos que mudam as pessoas de forma a afetar os seus julgamentos” e têm a ver ou com a dor ou com o prazer. E exemplificou: “Quando as pessoas se sentem amistosas e afáveis pensam um tipo de coisa; quando se sentem iradas e hostis, pensam em outra coisa completamente diferente, ou a mesma coisa com uma intensidade diferente”.

Santo Agostinho associou as emoções à sensibilidade do espírito humano, frisando o seu carácter ativo e responsável: “todos os movimentos da alma não são mais do que vontade. O que é o medo e a tristeza senão vontade que repudia coisas não desejadas? Segundo a diversidade das coisas desejadas e evitadas, a vontade humana, ao permanecer atraído por elas ou ao rejeitá-las, transforma-se nesta ou naquela emoção”.

O filósofo René Descartes fez uma análise detalhada das emoções humanas estabelecendo as primeiras bases para a compreensão neurofisiológica das mesmas e atribuiu ao pensamento alguma capacidade para regular as emoções.

A partir do século XX muitos estudiosos se dedicaram a essa área da pesquisa, onde cada um apresentava perspectivas que praticamente se completam. Segundo a revista EXAME, no ano de 2017 um grupo de cientistas americanos se propuseram a analisar tal assunto para encontrar as principais reações emotivas que vivenciamos.

O estudo envolveu 853 pessoas, as quais foram submetidas a assistir vídeos, gifs e semelhantes, totalizando 2.185 vídeos. Com base nisso, os pesquisadores do Laboratório de Interação Social da Universidade de Berkeley puderam identificar as 27 emoções que mais sentimos, são eles:

1 – admiração
2 – adoração
3 – alívio
4 – anseio
5 – ansiedade
6 – apreciação estética
7 – arrebatamento
8 – calma
9 – confusão
10 – desejo sexual
11 – dor empática
12 – espanto
13 – estranhamento
14 – excitação
15 – horror
16 – inveja
17 – interesse
18 – júbilo
19 – medo
20 – nojo
21 – nostalgia
22 – raiva
23 – romance
24 – satisfação
25 – surpresa
26 – tédio
27 – tristeza

Através do estudo, os pesquisadores notaram que existem ligações entre diferentes estados emocionais. Há fracas ligações entre paz, horror e tristeza e entre júbilo e adoração.

Mesmo através dessa pesquisa, não é possível ter certeza de qual é o “gatilho” para desencadear uma série de emoções e os pesquisadores esperam que suas descobertas ajudem outros cientistas e engenheiros a capturar a com maior precisão os estados emocionais relacionados ao humor.

Pode-se concluir que as emoções existem nos seres humanos há muito tempo, executam tarefas de defesa, proteção e ajuda visando a sobrevivência. A sua origem e a sua finalidade central são, por conseguinte, biológicas, mas com um tremendo impacto nas restantes atividades mentais.

Referências Bibliográficas

Ciência das Emoções 

Estas são as 27 principais emoções humanas, segundo a ciência