AREIA BETUMINOSA

O petróleo é um dos quatro combustíveis fósseis não renováveis, isto é, devido à grande exploração e utilização, é possível que em um futuro não tão distante ele se torne escasso, e por isso, há algumas décadas, uma nova possibilidade de obtenção do mesmo começou a ser realizada. A areia betuminosa é a mistura de areia, água, argila e betume, estando dentro da classificação de reservatórios não convencionais – reservatórios onde os hidrocarbonetos se alojam na forma de gás.

O betume é uma derivação do petróleo, constituído de hidrocarbonetos de grandes cadeias e, por conseguinte, são bastante densos, outra propriedade é a presença de metais pesados na sua constituição, como o níquel, vanádio, arsênio, chumbo e o mercúrio.

Em 1717 já sabiam da existência das areias betuminosas, no entanto, foi a partir da década de 60 em que a exploração aconteceu e, na década de 90 a obtenção se tornou viável economicamente, pois o valor do barril do petróleo aumentou. A extração do mesmo pode ser de duas formas, in situ e por mineração, o primeiro método é para as reservas que estão 75 metros abaixo do solo, onde é possível injetar água quente em um poço vertical, o qual liquefaz o óleo para bombear. Já a segunda técnica é para os depósitos próximos a superfície, onde separa-se a água da areia, o betume será tratado em uma refinaria.

Em 2010, as minas de superfície produziram 356,99 milhões de barris de petróleo bruto, enquanto a produção in situ produziu 189,41 milhões de barris de petróleo.

Localizado na floresta boreal no Canadá, está uma das maiores reservas de petróleo do mundo, ficando atrás apenas da Arábia Saudita e da Venezuela, as jazidas de Alberta se dividem em três zonas: a Peace River, o Cold Lake e a Athabasca, sendo essa última a maior.

Essas imagens dos satélites Landsat mostram o crescimento das minas de superfície nas areias betuminosas de Athabasca entre 1984 e 2016. O rio Athabasca atravessa o centro da cena, separando duas grandes operações. Para extrair o óleo nesses locais, os produtores de petróleo removem a areia em grandes minas a céu aberto, que são bronzeadas e com formato irregular. A areia é lavada com água quente para separar o óleo e, em seguida, a areia e as águas residuais são armazenadas em “tanques de rejeitos “, que possuem superfícies suaves de bronzeado ou verde nas imagens de satélite (NASA, 2011).

23 de julho de 1984
15 de julho de 2016

Embora o processo de extração das areias petrolíferas seja caro, pois são necessárias duas toneladas de areia para produzir um barril de petróleo bruto, ela conseguiu superar a produção de petróleo convencional, aumentando de 1 milhão de barris por dia em 2005 para 2,4 milhões de barris por dia em 2015. Alberta, cidade do Canadá onde estão localizados os depósitos de areias betuminosas, possui área de 142.200 km² e pode produzir 174,5 bilhões de barris, segundo estimativas realizadas no ano de 2003.

De acordo com Paulo Filho e Fabiano Brião, a extração desta areia situada no Canadá ocorre através de sete etapas:

1- As areias betuminosas são extraídas e carregadas para grandes caminhões;

2 – Os caminhões levam as areias para trituradores, os quais diminuem o tamanho das partículas antes de transferi-las para caixas de compensação;

3 – Rejeitos das telas rotatórias estão muito grandes, por isso são separados para serem reprocessados;

4 – Água quente é adicionada as areias trituradas para transforma-las em areias secas para transporta-las via hidro transporte;

5 – A mistura de betume, água e areia é levada para a célula de separação, onde o material é devidamente separado. O material residual é bombeado para a lagoa de rejeitos;

6 – A espuma de betume é tratada e preparada para o transporte pelos oleodutos;

7 – O produto final é levado para aprimoramento.

A extração e produção desse tipo de petróleo tem gerado grandes discussões e controversas, pois todas as etapas agridem o meio ambiente de forma violenta, afetam a vida dos seres humanos que residem próximo e a de animais. Tais desavenças tiveram aumento após um relatório do Departamento de Estado americano ter indicado o projeto do oleoduto Keystone para levar petróleo do Canadá ao Texas teria pouco impacto nas mudanças climáticas ou no meio ambiente.

Assim como a produção desse método é superior a técnica tradicional, a poluição causada por ele também é elevada. O primeiro problema encontrado é a contribuição com o aquecimento global. As emissões de carbono decorrentes das atividades relacionadas à exploração do betume são 12% maiores em comparação com poços tradicionais.

“As areias betuminosas do Canadá constituem uma das maiores ameaças ao nosso planeta”, declarou o cientista da Nasa James Hansen, um dos nomes mais importantes das pesquisas sobre o aquecimento global. Para Hansen, a ameaça é dupla. Em primeiro lugar, produzir petróleo das areias betuminosas polui muito mais do que o processo de extração convencional. Além disso, a atividade prejudica um dos melhores instrumentos de redução de carbono da Terra: a floresta boreal canadense. Segundo o cientista, ela armazena mais carbono por hectare do que qualquer outro ecossistema e, quando é derrubada para o desenvolvimento da indústria das areias betuminosas, muito desse carbono é perdido. Hansen ressalta ainda que a floresta contém boa parte da água doce da América do Norte, além de abrigar cerca de 5 bilhões de aves migratórias e algumas das maiores populações remanescentes de alces, ursos, lobos e caribus do mundo (Revista Planeta, 2010).

Cientistas da agência Environnement Canada e da Queen’s University de Kingston, no Ontário, estudaram cinco lagos próximos ao local de mineração de Athabasca e um lago a 90 km a noroeste. Todos os lagos tinham a presença de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) 23 vezes a mais do que antes da exploração ter começado na década de 60 (UNICAMP). Como visto no texto Riscos na pavimentação, os HAP possuem ação cancerígena e penetram no corpo através da inalação, prejudicando ainda mais os seres vivos, pois muitos animais acabam fazendo o uso desses lagos para ingestão de água e as pessoas por morar nas proximidades.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A EXPLORAÇÃO DAS AREIAS BETUMINOSAS DO CANADÁ: UM EXEMPLO DE RESERVATÓRIO NÃO CONVENCIONAL 

AREIA BETUMINOSA 

Athabasca Sands Oil 

Explorar areias betuminosas polui mais do que o previsto 

Areias betuminosas: boa fonte de hidrocarbonetos, mas poluem

Areia betuminosa – A chaga negra do Canadá