PROCESSO PRODUTIVO DE BLOCOS CERÂMICOS

Você por acaso já se perguntou como é realizada a fabricação de blocos cerâmicos?

A necessidade do homem proteger espaços, buscar abrigo – e sobreviver – remonta à pré-história. A segurança da moradia só tornou-se possível a partir do momento em que esse mesmo homem passa a fixar-se (a prender-se) à sua casa, sua terra e sua família.

Os blocos cerâmicos, mais popularmente conhecidos como tijolos, são componente(s) básico(s) das construções de alvenaria, tanto de vedação quanto estrutural, e os mais remotos vestígios de sua existência datam de mais de 7 mil a.C., encontrados no sudeste da Anatólia, na Turquia. Já os tijolos cozidos, de acordo com dados históricos e descobertas arqueológicas, foram criados e desenvolvidos provavelmente no terceiro milênio antes do nascimento de Cristo, no Oriente Médio.  

Fato é que os blocos cerâmicos foram os catalisadores de uma profunda transformação no modo de vida do ser humano, pois permitiram que pudessem ser erguidas construções resistentes à temperatura e à umidade, inaugurando o advento da habitação e proporcionando que o homem transcendesse a vida nômade. 

Desde então, eles passaram a ser amplamente utilizados, dada sua durabilidade e facilidade de fabricação, pela abundância da matéria-prima que o origina, a argila. A Revolução Industrial trouxe a produção de blocos cerâmicos em larga escala e o uso dos tijolos passou a ser generalizado na Europa e em todo o mundo. Aqui no Brasil, a alvenaria estrutural surgiu no século XIX, ganhando destaque inicialmente no Estado de São Paulo e depois em Minas Gerais, até se expandir para todo o país.

Por serem considerados os componentes básicos de uma construção, os blocos cerâmicos podem ter diversas formas e características. Duas delas são ligadas à sua função, pode ser tanto de vedação, executada para suportar seu próprio peso e pequenas cargas, como também estrutural, suporta as cargas e esforços da edificação.

No entanto, o processo de fabricação de blocos cerâmicos, independente da finalidade deles, é bem parecido. Para eles chegarem até a etapa de comercialização e utilização, passam por um processo que compreende:

  • Extração e Sazonamento

Geralmente, a matéria-prima usada para fazer blocos cerâmicos é natural, encontrada em depósitos espalhados na crosta terrestre. A argila é a principal matéria-prima utilizada na produção da cerâmica vermelha. Trata-se de um material natural, de estrutura terrosa e de textura fina. A cerâmica vermelha compreende todos os produtos feitos com matérias-primas argilosas, que após queima apresentam coloração avermelhada.

Por isso, o processo inicia-se nas jazidas: usando retroescavadeiras controladas por operadores capacitados, a argila é extraída, respeitando sempre os limites ambientais. Em seguida, ela passa por um controle de qualidade no laboratório da própria fábrica para assegurar suas características.

  • Tratamento da Massa

Depois de aprovada, a argila é levada até o pátio de sazonamento. Lá, ela será depositada em camadas alternadas de silte – responsável por otimizar a secagem da matéria – formando o que é chamado de sanduíches.

O tratamento da massa é um processo longo, que pode demorar até dois anos. O objetivo dessa etapa é reduzir o excesso de materiais orgânicos e sais indesejados. Assim, a massa vai oferecer maior homogeneidade e garantir a qualidade do material que será utilizado na fabricação dos blocos cerâmicos. Após o sazonamento, a matéria prima é levada para o setor de pré-estoque, onde continua a ser tratada e monitorada, até ser processada.

  • Extrusão

No setor de extrusão, a argila é misturada, desintegrada, laminada e transportada para a extrusora, também conhecida como Maromba, onde a argila é novamente misturada e extrudada e, finalmente, moldada por boquilhas, conforme o tipo de bloco a ser produzido.

O processo continua com o corte dos blocos nas dimensões pré-definidas para cada tipo de tijolo, seguindo para uma inspeção criteriosa, a fim de retirar as eventuais peças defeituosas, mantendo a qualidade dos produtos.

Fonte: Galassi; Tavares (2013)

Após esse processo, o material passará pelo processo de tratamento térmico, que é uma etapa fundamental na fabricação dos blocos cerâmicos. Isso porque, é nessa etapa que acontece o desenvolvimento das propriedades finais das peças. 

O processamento térmico se dá por meio de duas etapas:

  • Secagem

A secagem pode ser feita de duas maneiras: naturalmente – onde os blocos são depositados em um pátio e secam a partir da ação climática – ou artificialmente. Neste método, os blocos são conduzidos para até o túnel de secagem artificial, onde os secadores de fluxos semi-contínuo proporcionam uma ótima qualidade para o material.

  • Queima

Por fim e também fundamental (não entendi, seria “é fundamental”) para finalizar devidamente a produção de blocos cerâmicos, é preciso fazer a queima das peças. O procedimento é feito em modernos fornos com indicadores computadorizados – que garantem baixo consumo de energia e uma produção sustentável.

Ou seja, depois de secos, os blocos são submetidos a um tratamento térmico com temperaturas elevadas. Na maioria dos casos, a temperatura varia entre 800 ºC a 1700 ºC. Realizados em fornos contínuos ou intermitentes que operam em três fases:

  • Aquecimento da temperatura ambiente até a temperatura desejada;
  • Patamar durante certo tempo na temperatura especificada;
  • Resfriamento até temperaturas inferiores a 200 ºC.

Normalmente, a maioria dos produtos cerâmicos é retirada dos fornos, inspecionada e remetida ao consumo. Alguns produtos, no entanto, requerem processamento adicional para atender a algumas características, não possíveis de serem obtidas durante o processo de fabricação. O processamento pós-queima recebe o nome genérico de acabamento e pode incluir polimento, corte, furação, entre outros.

REFERÊNCIAS

Blocos cerâmicos: história, origem e vantagens

Descubra passo a passo como é feita a fabricação de blocos cerâmicos!

Processo Produtivo

INFORMAÇÕES TÉCNICAS – PROCESSOS DE FABRICAÇÃO

Blocos cerâmicos: um item de inovação

GALASSI, Cristiane; TAVARES, Célia Regina Grahen. Processo Produtivo De Blocos Cerâmicos. VI Simpósio Maringaense de Engenharia de Produção – UEM. Gestão e Inovação na cadeia de Produção. Maringá, 2013.